segunda-feira, 27 de fevereiro de 2012

Palmeiras tenta trazer Wesley pelo sistema de "Crowdfunding".

Está sendo noticiado por aí que uma iniciativa de torcedores está buscando repatriar o jogador Wesley (ex-Santos FC) que atualmente joga pelo Werder Bremen da Alemanha. A plataforma utilizada é a do MOP (My Own Player). Veja no site do Palmeiras ou veja no site do Milton Neves.

Em minha opinião esta iniciativa não terá sucesso.  Não estou contra o Crowdfunding, que na verdade é uma ótima plataforma para viabilizar bons negócios.  Mas este modelo não é verdadeiramente um crowdfunding.  É apenas uma doação espontânea de recursos. Crowdfunding é outra coisa.  Um verdadeiro crowdfunding traz vantagens para todos os participantes, inclusive para quem põe o dinheiro.  E é isso que realmente motiva as pessoas a participarem.    No caso da compra do Wesley, caso a operação se concretize, o amante palestrino que resolveu ajudar não terá nenhuma vantagem sobre o torcedor que não ajudou.  Ambos verão o seu time com mais um excelente jogador, só que alguns terão ajudado e outros não.

Além disso, os direitos econômicos do jogador serão DOADOS ao Palmeiras, e quem decidirá o que fazer com eles serão os dirigentes. Os mesmos que vêm administrando desastradamente o clube até o presente momento. Se quiserem poderão até vender o jogador e usar o dinheiro para outros fins.
Um verdadeiro crowdfunding tem que dar uma vantagem para quem se dispôs a contribuir.  Pode ser uma vantagem financeira, como partilhar o lucro em uma eventual venda ou pagar um rendimento acima das taxas de mercado.  Só que esta não é uma opção fácil, pois qualquer investimento financeiro tem obrigação de se sujeitar às regras da CVM (Comissão de Valores Mobiliários), que exige um rito burocrático e dispendioso.

Mas há outras formas de se privilegiar o torcedor contribuinte.  Essa vantagem não precisa necessariamente ser financeira.  Pode ser na forma de um ingresso para um jogo especial comemorativo contra um grande clube do exterior.  Ou pode ser uma prioridade na hora de comprar ingressos para jogos decisivos, finais de campeonato ou jogos da Libertadores.

De qualquer forma, Crowdfunding não é doação, e se não houver uma motivação especial, não vejo como atingir a meta de arrecadar 21 milhões necessários para a repatriação do jogador.  Apenas para se ter um parâmetro, no primeiro dia de campanha, o MOP arrecadou pouco mais de 100.000 reais.  Se esse ritmo de arrecadação se mantiver, serão necessários cerca de 200 dias para cumprir a meta. Mas a campanha ficará aberta por apenas 28 dias. Se não houver alguma mudança nesse projeto, acho muito improvável que o Wesley vista a camisa alvi-verde.

domingo, 5 de fevereiro de 2012

Crowdfunding no Esporte Brasileiro

O esporte brasileiro começa a descobrir as vantagens desta modalidade de busca de recursos financeiros. O crowdfunding é uma ação de cooperação coletiva realizada por pessoas que contribuem financeiramente para apoiar iniciativas de outras pessoas ou organizações.
Devemos deixar claro, que o crowdfunfing aplicado ao esporte, não pode ser visto como doação, isto é um erro, ele deve ser visto como investimento. Para isso os clubes e associações devem criar instrumentos, “produtos”, para oferecer ao investidor, igual às carteiras de investimento existentes na bolsa de valores. Por exemplo: Um clube gostaria de contratar um novo jogador. O clube deve montar o instrumento, onde o jogador passar a ter cotas a serem oferecidas ao mercado. Cada investidor analisa se o risco do investimento e a taxa de retorno sobre seu investimento, ou seja, se eu investi R$ 1 milhão, no momento da venda deste jogador, eu deveria receber um valor acima de uma aplicação financeira convencional do mercado. Caso contrário, seria mais interessante investir em ações ou fundos.
Para Alexandre Moreira, diretor da Brandware, o mercado esportivo tem alguns desafios para desenvolver esta modalidade, são eles:
 Profissionalização da Administração
Os clubes estarão administrando investimentos, isto requer processos, instrumentos legais, acompanhamento e governança. A relação com o investidor, geralmente visto em empresas de capital aberto, deve ser incorporado pelos clubes.
Transparência na Gestão
Os investidores devem ter acesso aos dados de seus investimentos, extratos, contratos, além de participarem de fóruns para a tomada de decisão de possíveis intenções de venda desses atletas. As regras devem ser claras tais como os riscos. Lembramos que quanto maior o risco, maior o retorno. Isto serve tanto para atletas repatriados, quanto para atletas das categorias de base.
Plano de Desenvolvimento da Imagem do Atleta
O atleta passa a ser um produto, e como tal, deve ser acompanhado. Sua imagem deve ser construída e gerenciada. O atleta deve entender de suas obrigações e da expectativa ao seu redor. Um bom plano de marketing pessoal atrai patrocinadores, valoriza o atleta e consequentemente o investimento realizado. Um acompanhamento psicológico deve ser feito, bem como de assessoria de imprensa, inclusive nas redes sociais e eventos.
A melhora na economia e a necessidade de achar novas formas de investimento fazem do crowdfunding uma ferramenta interessante a ser analisada pelos clubes. Se bem feito e gerido, o crowdfunding pode elevar o nosso esporte a níveis jamais vistos, inclusive com a vinda de grandes nomes do esporte mundial para o nosso país.